Toda vez que passamos um orçamento, vem a mesma pergunta: "mas compensa consertar ou é melhor comprar outro?". É uma pergunta honesta e merece uma resposta honesta — inclusive quando a resposta é "não compensa", e a gente perde o serviço.
A regra dos 50% e por que ela é incompleta
Você provavelmente já ouviu: se o conserto passa de metade do preço de um novo, troque. É uma boa regra de bolso, mas ela ignora o fator mais importante da conta — quanto tempo de vida ainda resta no aparelho.
Pense em dois casos. Uma geladeira de 2 anos com um orçamento de 55% do valor de uma nova, e uma cafeteira de 6 anos com orçamento de 40%. Pela regra dos 50%, você trocaria a geladeira e consertaria a cafeteira. Só que a geladeira ainda tem uns 10 anos de estrada pela frente, e a cafeteira já passou da vida útil típica dela. A regra apontou exatamente para o lado errado nos dois casos.
A conta que a gente usa
A pergunta certa não é "o conserto é caro?", e sim "quanto vai custar cada ano de uso daqui pra frente?".
Funciona assim. Todo aparelho tem uma vida útil típica — uma TV gira em torno de 8 anos, um micro-ondas 9, uma geladeira 12, uma air fryer 5. Você pega essa vida útil, subtrai a idade do seu aparelho e descobre quantos anos ele ainda deveria durar.
Aí faz duas divisões:
- Custo do conserto ÷ anos que ainda restam = quanto custa cada ano se você consertar.
- Preço de um novo ÷ vida útil dele = quanto custa cada ano se você trocar.
Se o primeiro número for menor, consertar é o melhor negócio. Se for maior, trocar é.
Um exemplo real de bancada: micro-ondas de 4 anos, orçamento de R$ 280, aparelho novo equivalente por R$ 900. Vida útil típica de 9 anos, então restam 5. Consertar sai a R$ 56 por ano de uso. Comprar novo sai a R$ 100 por ano. Consertar é quase o dobro de vantajoso — e ainda evita jogar fora um aparelho que tem conserto.
Para não precisar fazer conta no papel, montamos essa lógica numa página só sua: calculadora de vale a pena consertar. Você informa o aparelho, a idade e o orçamento, e ela mostra o resultado com a explicação.
O que a conta não pega
Número não decide tudo. Tem quatro situações em que a resposta muda independentemente da matemática:
Peça descontinuada. Se o fabricante não fornece mais a peça, o conserto pode até ser possível com peça equivalente, mas o próximo defeito talvez não tenha saída. Vale saber disso antes.
Aparelho que já voltou várias vezes. Um equipamento que deu três defeitos diferentes em dois anos está avisando que chegou ao fim. Consertar o quarto raramente compensa.
Valor de uso, não de mercado. Uma mesa de som antiga, um amplificador valvulado, um rádio de época — esses não seguem a conta. O que vale ali é o que a peça significa para você, e restaurar costuma ser a única opção mesmo.
Eficiência. Geladeira e ar-condicionado antigos consomem bem mais energia que os atuais. Num aparelho que fica ligado 24 horas, a diferença na conta de luz às vezes paga a troca sozinha.
Como a gente trabalha isso na prática
Na Teksys, a avaliação e o orçamento são sem compromisso. Você traz o aparelho, a gente coloca na bancada, descobre o que é de fato e te passa o valor — junto com nossa opinião sincera sobre compensar ou não.
Quando não compensa, a gente fala. Já aconteceu muitas vezes de o cliente sair daqui sem deixar o aparelho e voltar meses depois com outro problema, justamente porque confiou na resposta da primeira vez. É assim que a gente prefere trabalhar.
Ficou na dúvida com algum aparelho aí em casa? Manda a marca, o modelo e o que está acontecendo no WhatsApp que a gente já te dá uma primeira orientação.